O Brasil Real


De tantas coisas que ouço nos anos de eleições, sou obrigado a concordar com um único argumento utilizado, ou seja, de que não podemos retroceder politicamente. Realmente, este é um argumento de bastante peso, afinal desde o final da Ditadura Militar e com o retorno do Regime Presidencialista, só tivemos governantes que agiram em causa própria ou na de seus conchavos, enriquecendo a si mesmos, aos grandes empresários e aos banqueiros. Era o que se tinha naquele momento, sugerido por alguns com interesses particulares. Então, é importante que não retrocedamos, pois constatamos que presidentes e políticos corruptos, de cargos e siglas partidárias váriadas, PMDB, PSDB, PT, etc., prometem e prometem, mas que depois só conduzem o país à corrupção e ao  caos. Isso está mais do que comprovado, está aí de forma mais que evidente no nosso dia-a-dia. Que nos sirva de exemplo isso e que enfim o povo dê o seu grito de liberdade, conquiste enfim a sua “carta de alforria” para demonstrar ao mundo que o brasileiro evoluiu e que não admite mais ser ludibriado por aproveitadores gananciosos.

Então, neste momento é importante relembrar alguns fatos marcantes dos últimos vinte e cinco anos da vida política brasileira para que as afirmações contidas aqui não corram o risco de parecerem vazias e infundadas, também pelo fato de que a memória do brasileiro é reconhecidamente curta, e principalmente, para que os jovens que a partir dos 16 anos começam a participar da vida política do País, não se iludam e não acreditem em “santos do pau oco”. Já que estarão votando, é importante que conheçam desde já um jargão popular bastante usado: “nem tudo que reluz é ouro”, ou seja, cuidado com a lábia felina dos politiqueiros que por trás da boa aparência, cores e luzes, escondem verdadeiros algozes da vida dos cidadãos brasileiros. Estes sim, de fato causam mal a saúde do povo, causam milhares e milhares de mortes através da sua ingerência proposital e insignificância para com os anseios populares.

Com a “morte” de Tancredo Neves em 1985, que pode ter sido assassinato, afinal ainda pairam dúvidas sobre isso nas mentes de milhões de brasileiros, assumiu o nosso primeiro personagem, José Sarney, PMDB, que em seu governo lançou os planos Bresser e Verão que aniquilaram com a vida dos pequenos poupadores do País, ou seja, os que tinham dinheiro aplicado em cadernetas de poupança, pela desvalorização monetária, perderam os frutos colhidos ao longo de suas vidas, sendo que muitos perderam tudo. Com este ato de ingerência inconsequente, passaram a ter uma vida de humilhação quando deveriam desfrutar dos proveitos de uma vida de luta e de contribuição para o crescimento do País. Os pequenos aplicadores se viram abandonados à mercê do nada. Também ocorreram casos de concessões para rádios e TVs para seus aliados, escândalos de contrabando de jóias preciosas, e foi aí que o povo começou a ouvir sobre a sigla CPI, que investiga, apura, mas que “sempre termina em pizza”, não pune os responsáveis e não prende ninguém, são atos inúteis e devaneios políticos e normalmente são engavetadas por princípios e acordos político-eleitoreiros.

Posteriormente a ele, o caos, Fernando Collor de Mello, PRN. Ocorreram inúmeros escândalos neste período: INSS, LBA, Estatais, VASP, esquema PC Farias, com assassinatos e mortes estranhas e sem solução. Resolveu apreender o dinheiro que não era seu e sim particular, de cada cidadão brasileiro. Não é de se admirar que o povo revoltou-se e exigiu o seu Impeachment, assumindo em seu lugar o Presidente, Itamar Franco, MDB, PMDB, PL, PRN, que realizou apenas um mandato austero e de poucas realizações. Além de comprovadamente mulherengo, trouxe de volta a fabricação do Fusca às fábricas das Volkswagen. Ocorrendo investigações em escândalos como SUDENE, DETRAN, CPI do pó, compra e venda de mandatos, caso Recupero, também conhecido por “esquema das parabólicas”.

Continuando a saga para o caos, assumiu aquele que realizou dois mandatos consecutivos, Fernando Henrique Cardoso, o FHC, do PSDB. “Professor” e “Sociólogo” e que podem acreditar, bateria o recorde em casos de corrupção até então. Cito apenas alguns casos para não me alongar por demasia: é quase que automático que ao citar este nome, lembremos de “privatização de estatais”, ou seja, aquele que vendeu tudo que conseguiu em se tratando de patrimônio público, quisesse o povo ou não, e caso o povo se manifestasse contrariamente, mandava os militares para cima do povo. Ocorreram escândalos como SIVAN, BNDES, Precatórios, BANESTADO, Mesbla, BANESPA, BANPARÁ, enfim uma lista imensa. Hoje luta pela eleição do seu amigo e ex-ministro da saúde, José Serra.

E enfim, chegamos ao recordista mundial de todos os tempos, Luiz Inácio “Lula” da Silva. A exemplo dos citados acima, se esquivou daqui, dali e sempre se livrando, inclusive tornando famoso o seu jargão costumeiramente usado: “eu não sei de nada “, que posteriormente virou chacota mundo afora. Eleito por ser a “última esperança”, assumiu com uma palavra de ordem do povo: “mudança”. O País então pasou a presenciar a corrupção generalizada. Uma infinidade de escândalos. Entre os que tornaram-se mais famosos estão: MST, irregularidades no Fome Zero, Ministério do Trabalho, Operação Anaconda, Máfia dos Gafanhotos, Bingos, irregularidades em bolsas e mais bolsas implantadas, furnas, Mensalão, Diretório do PT, Brasil Telecom, Dólares da cuéca, Nossa Caixa, BMG, grampos, SIVAN, plano Safra, sanguessugas, dossiê, apagão aéreo, ONg's, e por aí vai, ao longo de mais de 120 casos.

Os casos estão listados em nossa página “Corrupção por Presidentes” *Sendo modificado e atualizado, portanto em construção e ainda não público.

Para que não se fixe a corrupção como sendo apenas atos dos presidentes, pós Ditadura Militar, e para que não corramos o risco de alguém cogitar a hipótese de que algum político é honesto, casos e casos de corrupção estouraram durante estes mandatos, quase que semanalmente, envolvendo senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, dirigentes partidários, assessores e financiadores de campanhas. Também verificou-se ser indiferente a classe, raça ou gênero destes 'representantes do povo'. Uma Vergonha. Para o bom entendedor uma palavra só basta para definir a situação do País dos últimos 25 anos, ou seja, “bandalheira”. Reconhecidamente internacionalmente como 'o país da corrupção', e de fato, estando os mais corruptos do mundo.

Exemplos aos jovens: não acreditar em um candidato só porque ele tem boa aparência, que diz que mudará tudo que está errado e que melhorará a vida de todos. Saber que santinhos, adesivos bonitos, coloridos e autocolantes, brindes de campanha não são pagos pelos partidos políticos ou pelos candidatos, estes são como “presentes de grego”, pagos com verbas públicas, que poderiam ser utilizadas para melhorias na vida de todos, mas que acabam indo pelo ralo. As palavras e as músicas geralmente prometem o que na maior parte não passará disso, são promessas vazias que visam tão somente e eleição e as benécies do cargo público. Normalmente são “esquecidas”. Políticos são excelentes oradores, no entanto é lamentável que se utilizem deste dom para práticas criminosas contra o bem público.

Desde 1985, pude verificar a imensidão de desocupados, aproveitadores e oportunistas que se filiam nestes partidos. Quando não entram por pura ilusão, como foi o meu caso, mas que me corrigi a tempo graças ao bom Deus, é bom que se frise isso, com toda a certeza entram para receber algo em troca. Durante estes anos de ilusão, enfrentei opositores, conquistei inimigos e me senti traído, pois vi posteriormente que estes mesmos inimigos, que tantos males me fizeram, conseguiram destaque dentro do partido em campanhas futuras, os conhecidos “conchavos políticos”. Mas entre todas estas coisas, a que mais me aborreceu foi ver pessoas do povo, que sofrem os mesmos problemas sociais, se vendendo, sem o mínimo constrangimento e sem a preocupação de estarem prejudicando a milhões de outros cidadãos. E também tive a infeliz convivência com “intelectualóides”, que viviam em rodas de bar, fazendo propagar a idéia dos 'salvadores da Pátria', de guerrilheiros, de movimentos sociais e coisas do gênero. Enfim, tudo isto que hoje presenciamos no caos social que proporcionam e que dia após dia só se agravam.

Hoje, quando vejo nosso presidente receberem homenagens mundo afora, percebo que a ilusão ou a insensatez não se resume ao Brasil. De fato, estes representantes mundiais desconhecem o que é o Brasil e qual é a verdadeira realidade do povo. É claro que é preciso considerar que também muitos fingem desconhecer, tudo depende da ocasião, de algumas facilidades. Quero crer que se assim não o fosse, entidades reconhecidas mundialmente como ONU e Direitos Humanos, lutariam para que a sociedade mundial não fosse enganada. Me pergunto também a respeito da sua inatividade perante a miséria em países africanos, do ódio e guerras no Oriente Médio e da ditadura instituída nos paises asiáticos. Questões como estas colocam em xeque os seus verdadeiros propósitos, afinal são organismos instituídos para defender a sociedade mundial, mas me parece que defendem mais aos interesses dos grandes banqueiros e empresários mundiais. Me parece que organizar o caos lhes trás benefícios também. Me parece que estes senhores só irão se posicionar de forma efetiva quando as catástrofes ambientais e as doenças causarem riscos a vida de todos no planeta, inclusive a deles próprios, e não somente a dos pobres.

No Brasil, sabemos que pagamos impostos altíssimos para tudo. Com certeza estão entre os mais altos do mundo. Normalmente pagamos pelos nossos próprios produtos, duas ou três vezes o que é pago em outros países e ainda há de se considerar que o produto vendido internamente é bem inferior. Mesmo tendo pago os impostos, pagamos novamente quando precisamos de serviços básicos e essenciais. Quem vê coerência nisto? Quando procuramos por estes serviços, e quando os encontramos, são indignos do cidadão. Por falta de outra alternativa, pessoas invadem e passam a morar em áreas irregulares. As autoridades tem conhecimento deste fato, pois cobram os impostos e taxas territoriais. Posteriormente, quando as catástrofes ocorrem, fornecem verbas e entram com ações paliativas para tentar sanar o prejuízo e colocar “panos-quentes” na situação, também numa tentativa de resguardar a sua imagem política.

A educação oferecida ao povo é de péssima qualidade. Tão ruim ao ponto de este termo “péssimo” já não caber mais, tamanha a magnitude do problema. Para aqueles que ousarem contestar minhas afirmações, e para que obtenham algum embasamento da situação real, passem a exigir do governo federal que todas as provas, das variadas instituições de ensino existentes, sejam dissertativas e não mais desta 'opção lotérica', o 'chutômetro'. Há alguns anos tentou-se fazer isso no interior do Paraná, foi uma lástima, vergonhoso, só igualado mesmo aos níveis ridicularizantes das provas da OAB, esta Ordem que dá autorização para diversos 'doutores sem doutorado', atuarem  perante o judiciário brasileiro. Daí resulta o caos, pois esta própria instituição dá o péssimo exemplo quando permite o crime de falsidade ideológica por parte dos seus discípulos.

Trabalhando em uma instituição pública de ensino superior por quase 16 anos, pude verificar que o problema vai muito além. Jovens se formam ainda que despreparados, profissional e psicológicamente. Recebem diplomas e passam a atuar como profissionais e a cuidar da vida e dos direitos dos cidadãos. Chega-se ao cúmulo de crianças do ensino básico e fundamental não saberem escrever corretamente e nem realizar as quatro operações básicas. Se perguntado para as crianças desta faixa etária o horário em relógios analógicos, elas não conseguem responder. Também não conhecem a letra do Hino Nacional, os estados que constituem o Brasil e as suas capitais. Chega-se a vexame total de não saberem qual é a Capital Nacional. E ninguém responde como conseguem adentrar nas universidades e vai além, ainda pior, como se formam? Fiquei estarrecido quando trabalhando na seção de protocolo da secretaria acadêmica, presenciei formandos cometerem erros básicos de escrita. Alunos do Curso de Direito sequer sabiam escrever a palavra que mais usariam em sua carreira, ou seja, “ciente”, a grafavam com a inicial “S”. Acadêmicos do Curso de Letras preenchiam os requerimentos escrevendo seus próprios nomes com as iniciais em letras minúsculas. Que pedagogias vem sendo aplicadas em nosso País nas últimas duas décadas? Se encarregam de emburrecer a população e  rebaixam o cargo e a autoridade dos professores, pois qualquer atitude contrária por parte de um professor é motivo para sua demissão sumária e no mínimo irá responder por um processo administrativo, quando este não ocorre judicialmente. Alunos portam-se de forma mal-educada. Adentram às salas de aula bêbados, drogados e armados. Agridem aos professores e mesmo assim estes não podem tomar qualquer atitude repreensiva. Professores que dedicaram a sua vida aos estudos e quando tentam por em prática a sua profissão, são punidos passando a ter problemas pessoais e físicos, a exemplo da doença mais atual, a “fobia de sala de aula”. São professores com medo de se dirigirem à sala de aula ou de serem assassinados nas saídas destas ou até mesmo em suas casas.

Deixo então estes questionamentos no ar para que se reflita sobre o que está sendo permitido hoje e para que não nos prejudique no amanhã, e caso não alcancemos tal período, não prejudique a nossos descendentes: qual será a reação futura destes que hoje se negam em aplicar-se nos estudos quando não conseguirem uma vaga em um emprego? Será que as inúmeras barbaridades que constantemente presenciamos já não são uma pré-visualização do que nos virá num futuro não muito distante? Até quando os cidadãos conscientes deste País continuarão permitindo esta ingerência política praticada de maneira tão irresponsável? A quem as tragédias ambientais terão de atingir para que enfim a sociedade acorde e perceba que é o nossa vinda sendo colocada em risco porque alguns tanto anseiam por coisas supérfluas e/ou inúteis? Quantos mais terão de perder seus bens materiais, seus entes queridos e até mesmo morrer, enquanto alguns se utilizam dos nossos bens em causa própria para estabelecer um status quo internacional e passar uma imagem de um Brasil que não é o real? Será que ainda a maioria deste País é tão desleixada que não consegue perceber que tentam nos fazer um povo induzido visando com isso o próprio enriquecimento, sendo indiferentemente se com estas atitudes causam danos aos demais?


"Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha". Ghandi